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quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Eric Kripke fala sobre o novo livro de Supernatural.




O mais recente lançamento na linha de livros de Supernatural traz aos seus fãs um guia completo para qualquer Hunter. De mapas onde os Winchesters caçaram, fotos dos bastidores, posteres, até comentários e resumos das temporadas 1 a 7 e muito mais. Nosso herói Eric Kripke falou sobre o livro (e um pouco mais) e não evitou em deixar qualquer Hunter ansioso para ler o livro, que se chama "The Essential Supernatural: On the Road with Sam and Dean Winchester". Abaixo você confere a entrevista com Kripke, em uma tradução livre:




O novo livro "Essential Supernatural: On the Road with Sam and Dean Winchester" (Supernatural Essencial: Na Estrada com Sam e Dean) é como uma bíblia para fãs de Supernatural. É um livro de capa dura incrivelmente lindo da editora Insight Editions que inclui fotos de episódios, detalhes de bastidores e entrevistas com o elenco principal, coadjuvantes, recorrentes e equipe técnica, que conta a história da série desde antes do episódio piloto até o começo a oitava e atual temporada. Nicholas Knight, que trabalhou em vários guias de temporadas ao longo dos anos, sempre deu aos fãs a oportunidade de ver os bastidores do show (o que é algo de extremo interesse para os fãs, particularmente por conta da extensa mitologia da série). Devido ao grande sucesso que esses guias fazem, surgiu a ideia de criar um guia essencial e fazer uma edição com tudo o que se relaciona a Supernatural. O criador original da série, Eric Kripke, foi chamado para escrever o prefácio e imediatamente embarcou. Embora tenha partido para comandar outro show (Revolution, na NBC americana), ele diz que "Supernatural sempre será meu primogênito" e que ele tem muito orgulho do show e de todos os que já trabalharam nele.

O que nos leva a uma recente conferência com Kripke e outros jornalistas sobre o guia e a série. Kripke conversou conosco sobre sua experiência no show, como a greve dos roteiristas e contribuições na sala dos roteiristas mudaram o muito o show e o que fez a série crescer de um programa modesto sobre dois irmãos lutando contra monstros e chegar à grande escala do apocalipse.

Olhando para trás
"Agora que eu estou de fora da luta diária, do estresse e da ansiedade de Supernatural, estou assistindo e acho que está em boas mãos com Jeremy Carver e Bob Singer. Me dá condições de olhar para trás e ver como era a experiência quando começamos, em 2005. Eu diria que analiso com emoção, como quando se olham fotos antigas de seus amigos e família. Eu olho com nostalgia e com orgulho. Penso que criamos algo muito especial. Acho que tivemos um bom time de roteiristas, produtores, estúdio e emissora que realmente nos permitiram conseguir coisas que acho que nunca mais conseguirei. Eu não percebia o tamanho da liberdade criativa que tínhamos – o quanto ela era especial – até sair. Que fomos capazes de contar histórias sobre Deus e sua existência e o Diabo e fé e tocar em assuntos importantes com nosso pequeno showzinho de gênero específico. Eu tenho muito carinho por ele."


De filme de terror a desenvolvimento do personagem
"Eu tinha uma história na cabeça quando começamos. Algo como um plano de cinco anos que eventualmente culminaria em "encarar o Diabo e enfrentar o Apocalipse". Mas em termos de tom, acho que comecei muito mais com aspirações a filme B e sempre fui fã de filmes de terror. Eu provavelmente teria ficado feliz com um show sangrento que fosse parte "A Morte do Demônio" e parte "Um Lobisomem Americano em Londres". Bob Singer (que é um escritor com muito mais classe que eu) estava muito interessado em colocar os personagens em evidência. Ele disse "Você tem personagens tão interessantes com um história tão rica e nós seríamos negligentes em não explorar isso". Fizemos isso e descobrimos que esses episódios eram muito melhores que os puramente de horror. Como criadores, fomos vendo a série melhorar exponencialmente quanto mais nos concentrávamos nos personagens, ali pelo meio da primeira temporada. Quando chegamos à segunda temporada, a ordem para os roteiristas foi "vamos colocar os personagens em primeiro lugar e os monstros em segundo". Quanto mais nos aprofundávamos nos personagens, mais descobríamos que se podem contar histórias sobre religião e livre arbítrio e destino e o que acontece quando você faz a coisa certa pelas razões erradas e vice-versa. Eu acho que é uma das razões para eu ter ficado por tanto tempo."

Que personagem é o mais Kripke?
"Chuck! Chuck sempre foi o meu representante no show. Ele é um escritor com a auto-estima bem baixa e passa muito tempo trabalhando de pijama. Eu quero ser Dean, mas sou mais o Chuck."


O conflito entre irmãos
"Conflito é a base do bom drama. Há mais histórias para trabalhar quando há atrito entre eles. Eu sempre senti – mesmo quando comandava o show – que as temporadas em que Sam e Dean estiveram de acordo o tempo todo nunca foram tão interessantes quanto quando demos algo substancial e real para haver conflito. É uma posição estressante ter um irmão como o escolhido dos anjos e o outro ser o escolhido de Lúcifer e fazê-los nascer na mesma família. A temática do show tem sido "a família pode superar tudo". Nada é mais importante que os laços familiares. Eles são mais importantes que tudo. Inclusive que os laços do Céu e do Inferno. Nós damos a eles vários obstáculos, mas eu acredito, no fim das contas, que Sam e Dean sempre se entenderão, porque na visão de mundo do show, assim como na minha visão de mundo, não há força maior que a família."


A parte favorita de Kripke no livro
"Algumas de minhas partes favoritas do livro têm a ver com a arte conceitual. Não necessariamente o que entrou na série, mas coisas que o incrível departamento de Jerry Wanek construiu enquanto trabalhávamos em ideias iniciais de como as criaturas seriam. Essa parte me trouxe boas memórias. Enquanto estávamos ralando para produzir o show e tendo discussões e debates sobre que cara a Bloody Mary teria lá no início do show, a arte do livro é feita com as fotos e imagens sobre as quais debatíamos. Ele é muito honesto em termos de como seria produzir esse show. Também há imagens bem constrangedoras de mim na direção espalhadas pelo livro. Por alguma razão estúpida, escolhi a época da filmagem do episódio final da 4ª temporada para fazer uma dieta. Fiquei tão zonzo no set que achei que ia desmaiar. Sempre acho engraçado porque não há melhor forma de demonstrar liderança para a sua equipe do que desmaiar na frente dela. Tive que me segurar na minha cadeira de diretor, voltar para o meu trailer e aí passei o resto da filmagem comendo burritos."


Mantendo a mitologia em dia
"É um desafio, mas geralmente esse trabalho fica para o assistente do roteirista, assim como para o coordenador de roteiro. Ao longo dos anos, eles compilaram uma bíblia – acho que melhor seria dizer uma bíblia satânica – de todos os monstros e criaturas e regras. É muito difícil manter tudo certinho. Toda criatura tem seu conjunto de regras e essas regras têm que se manter consistentes quando você retorna a elas anos depois. Uma das coisas de que mais gosto em Supernatural e em sua longevidade é a complexidade do universo que conseguimos criar. Parece um mundo tão maduro hoje em dia porque tivemos tempo para explorar muitos de seus aspectos."


Uma reviravolta na história
"Você precisa mapear seus personagens e o enredo e a mitologia, mas nunca de forma tão específica que ela te supreenda. Meu enredo inicial tinha Sam e Dean lutando contra demônios e a coisa se desenvolvendo até que enfrentassem Lúcifer. Eu não havia considerado anjos. As pessoas sugeriam episódios com anjos e eu dizia não. Entre a 3ª e a 4ª temporada, nós estávamos conversando sobre isso e eu meio que percebi que estávamos deixando passar um lado da moeda e foi então que apresentamos Cas na abertura da 4ª temporada. A ideia de apresentar anjos – o que acabou se tornando parte importante da série – não estava inicialmente nos planos."


Uma oportunidade perdida?
"Eu acho que conseguimos tudo o que eu planejei em termos da história que eu queria contar. A única coisa que me vem à mente é logo antes da greve dos roteiristas, que foi quando Ben Edlund sugeriu os Ghostfacers pela primeira vez. Ele queria fazer um episódio de Supernatural como um reality show em perspectiva totalmente diferente. Ele veio, deu a ideia e ainda trouxe o violão para a reunião. Ele havia escrito a música tema e tocou. Eu fiquei bem entusiasmado com a ideia, mas 48 horas depois declararam a greve. Tive muito medo, por várias razões, sobre o futuro do show – e me lembro de ter pensado na época 'Espero poder voltar a tempo de terminar essa temporada só pra gente conseguir fazer Ghostfacers'."

Impressões da 8ª temporada
"Eu estou assistindo a oitava temporada. Estou muito contente com Jeremy [Carver] no geral. Fiquei feliz com o trabalho que Sera [Gamble] fez e tenho muito orgulho do trabalho que Jeremy vem fazendo, juntamente com a pessoa que tem sido mesmo o comandante do show desde o primeiro dia: Bob Singer. É exatamente como ver seu filho ir para a faculdade. Não estou envolvido com o dia a dia, mas dou conselhos sempre que me ouvirem e acima de tudo tenho orgulho de como Jeremy e Bob estão levando o show."


O futuro de Supernatural
"Eu cometi um erro muito cedo na minha carreira em Supernatural. Eu tinha um plano que dava um final para o show depois de cinco anos. Após os cinco anos, Bob, Sera Gamble e eu tivemos a difícil tarefa de reiniciar o show depois que eu terminei o plano de 5 anos que eu tinha em mente. Acho que aprendemos a lição a partir daquele ponto. Criamos uma mitologia mais durável que terminaria se precisássemos e seguiria se precisasse seguir. Sei que Jared e Jensen estão a bordo e fazendo um bom trabalho. Acho que nosso sentimento é de que estamos dispostos a prosseguir enquanto a emissora quiser. Acho que estamos prontos para seguir em frente e seguir explorando."

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